Oiê! Hi! 你好!Eu sou o Mateus, mas pode me chamar de Mat. Eu trabalho com design e gestão de produto aqui de Fortalcity, e do resto do mundo também quando dá pra ser remoto. Já passei por projetos em áreas como SaaS B2B, agritech, healthtech e inovação aberta, e cada área me ensinou uma coisa diferente. Ah, e quando sobra um tempo, eu também produzo música.
Eu comecei no mundo do design ainda adolescente, fazendo sites e blogs pra mim e pras pessoas das comunidades de que eu participava. Foi minha primeira experiência trabalhando com ‘cliente’, diga-se de passagem. Um tempo depois, fiz minha graduação na Universidade Federal do Ceará, e atualmente curso um MBA em Design de Interação na Anhanguera.
Já faz mais de cinco anos que eu desenho produto digital de ponta a ponta, do discovery ao handoff pros devs. Gosto de entender o que as pessoas precisam, o que o negócio quer e o que dá pra construir, e ir ajustando essas coisas junto com o time. De bom humor, sempre que possível.
Nesse tempo, construí um design system do zero, com foco em tokenização e diretrizes de uso, e conduzi pesquisas tanto pra orientar a estratégia quanto pra melhorar a usabilidade de produtos SaaS B2B. Como PM, também cuidei de priorização, roadmap, acompanhamento de métricas e alinhamento com liderança e marketing.
E teve resultado: no Uptime Center, o tempo de máquinas paradas caiu 35% e as manutenções perdidas diminuíram cerca de 35%. Na Tour House, o fluxo pelo WhatsApp deixou as aprovações 60 vezes mais rápidas. No Solv, o tempo gasto gerindo programas de inovação caiu 40%, e vi as soluções que desenhamos ganharem adesão. Gosto de acompanhar essa parte também, porque é quando dá pra ver o que mudou na rotina de quem usa.
Meu processo
Ué, achou que teria um fluxograma bonitinho aqui? Ha! Meu processo depende do projeto.
Tem projeto em que a gente tem liberdade pra falar com usuários e fazer entrevistas, e tem projeto em que não. Alguns permitem testar, ajustar e testar de novo; outros têm um prazo curtinho pra entrega. Alguns são mais focados no negócio, outros nas necessidades de quem usa.
Então meu processo é adaptável. Faz parte do design entender qual abordagem faz sentido pra cada projeto e cada produto, considerando o contexto, o time e o tempo que a gente tem. Eu vou escolhendo os caminhos a partir disso.
Antes do Uptime Center, acompanhar as máquinas vendidas pela Tracbel envolvia planilhas, lembretes e calendários organizados à mão. Cada consultor tinha seu jeito de trabalhar, e compartilhar esse acompanhamento com outra pessoa não era tão simples.
Parte das regras de manutenção também ficava na memória de quem atendia. Era preciso lembrar o que conferir, procurar o dado e perceber que estava na hora de agir. Nesse caminho, algumas manutenções acabavam passando.
Atuação
Entrei quando o projeto ainda tinha só os requisitos básicos. Fui o único product designer, trabalhando com um PM, três devs e os stakeholders da Tracbel.
Cuidei das entrevistas, das jornadas, dos fluxos, do design system e das interfaces. Também apresentava as propostas, organizava os feedbacks e acompanhava a implementação com os devs. Quando surgia uma limitação técnica, a gente discutia as alternativas junto.
Operação
O consultor era o usuário principal, mas gestores, especialistas e clientes também precisavam acessar informações do acompanhamento. Por isso, desenhei uma experiência web responsiva, considerando o que cada perfil precisava ver e fazer.
O mapa dava uma visão da frota, e os detalhes de cada equipamento ajudavam a entender o que precisava de atenção. Eu voltava às jornadas pra conferir quem precisava daquela informação e qual decisão ela ajudaria a tomar.
Quando faltava contexto, eu pedia outra entrevista, reassistia às conversas ou recorria ao PM e à liderança técnica.
Desafio
O desafio era reunir esse acompanhamento e ajudar a equipe a organizar a manutenção antes que a máquina precisasse parar. Pra quem depende dela no trabalho, uma parada afeta diretamente a operação.
Nas entrevistas, apareceu um detalhe importante: várias máquinas trabalhavam em regiões sem internet ou sinal de celular. Então, ficar sem receber dados não queria dizer que a máquina estava parada. A interface precisava deixar isso claro.
Processo
A gente apresentava as propostas ao cliente, preparava protótipos pros consultores experimentarem e acompanhava o uso depois da implementação. Os feedbacks voltavam pro projeto e orientavam os ajustes seguintes.
Numa dessas conversas, os consultores contaram que precisavam discutir questões de uma ordem de serviço. Daí veio o campo de comentários dentro da própria OS, pra conversa acontecer junto do atendimento.
Eu seguia por perto durante o desenvolvimento, esclarecendo dúvidas de comportamento e discutindo com os devs como manter a proposta viável.
Solução
Organizei a leitura da telemetria considerando o último envio, o período sem comunicação, a última localização e a condição da máquina quando o sinal voltava. Assim, o consultor conseguia entender de quando era aquela informação.
Um exemplo era a troca de óleo nas primeiras 500 horas, nas máquinas às quais essa regra se aplicava. O sistema calculava a aproximação desse marco e avisava o consultor responsável, que podia ligar pro cliente e agendar a visita técnica.
Também desenhei os fluxos de análise de óleo, alertas por severidade, dashboards e planejamento de serviço. O design system, adaptado de uma biblioteca existente, foi evoluindo junto com o produto.
Resultados
O Uptime Center foi lançado na Agrishow de 2023 e passou a fazer parte da operação de pós-venda da Tracbel.
O tempo de máquinas paradas diminuiu 35%, as manutenções perdidas caíram cerca de 35% e foram gerados mais de 3.000 alertas. Também houve um aumento perceptível na satisfação dos colaboradores da Tracbel.
No acompanhamento, eu percebia o alívio de contar com a automação em tarefas que antes dependiam de planilhas e lembretes. Os consultores conseguiam acompanhar mais máquinas e direcionar melhor os atendimentos.
Comentários
Esse projeto me fez olhar pra tudo o que acontece antes de uma informação chegar à tela. As integrações, as responsabilidades e até a falta de sinal mudavam o significado daquele dado.
As jornadas seguiram comigo durante o projeto inteiro. Eram uma forma de investigar dúvidas e conversar com o time sobre o que fazia sentido pra operação.
09
Tour House
Tour House · 7 meses · Product Designer · UX/UI Designer
Contexto
A Tour House trabalha com viagens corporativas, e o OBT é a plataforma em que as empresas buscam, reservam e aprovam as viagens do time. Tem aéreo, hospedagem, veículos e rodoviário.
Junto da reserva vêm as regras: cada empresa tem sua política de viagem, seus centros de custo, aprovadores e orçamento. Tudo isso precisava aparecer no fluxo de um jeito que desse pra entender.
Atuação
Atuei como product designer do discovery ao handoff, em parceria com o PM, os stakeholders e os devs.
Eu transformava os requisitos e as regras de viagem em fluxos, fazia os protótipos em alta fidelidade no Figma e acompanhava as dúvidas durante a implementação.
Operação
O produto atende o viajante, que precisa resolver a viagem; o aprovador, que precisa decidir com contexto; e o gestor, que acompanha gastos e políticas.
A mesma tela pode se comportar de formas diferentes dependendo das regras da empresa, então boa parte do trabalho foi mapear essas variações.
Desafio
O desafio era facilitar a busca e a reserva sem perder o controle que cada empresa precisava ter. Queria que as pessoas encontrassem o próximo passo sem precisar decorar as regras do sistema.
Um ponto travava mais que os outros: a espera pela aprovação. A viagem ficava parada até o aprovador entrar no sistema, e ele nem sempre estava por perto.
Processo
Comecei entendendo o fluxo de reserva e as políticas com o PM e os stakeholders. Organizei os requisitos nas frentes de busca, aprovações, bilhetes não voados e indicadores.
A cada sprint, desenhava os fluxos, prototipava e validava antes do desenvolvimento. O contato com os devs continuava no handoff e durante a construção.
Solução
Na busca, reuni aéreo, hospedagem, veículos e rodoviário, com busca avançada, histórico recente e um assistente de IA em beta.
Nas aprovações, trabalhei o contexto que o aprovador precisava pra decidir e o fluxo de aprovação pelo WhatsApp. A ideia era encaixar essa tarefa na rotina de quem aprova.
Nos bilhetes não voados, desenhei filtros, status e exportação pra acompanhar os créditos das passagens que não foram usadas.
Também montei dashboards de volume, viagens, passageiros e ticket médio, com recortes operacionais, financeiros e de compliance.
Resultados
Depois da implementação do fluxo de aprovação pelo WhatsApp, as aprovações ficaram 60 vezes mais rápidas.
Esse número responde direto àquela espera: levando a aprovação pro WhatsApp, a decisão passou a acontecer onde o aprovador já estava.
Comentários
Nesse projeto, precisei entender bem as regras de cada empresa e a rotina dos três públicos. Isso ajudou a decidir o que mostrar em cada etapa e onde fazia sentido simplificar.
O Solv começou como um software de inovação aberta, com formulários, triagem de startups e white label, e foi virando uma plataforma que cobre inovação interna, portfólio de projetos, melhoria contínua e até um copiloto de IA.
A Neo Ventures era dona e desenvolvedora do produto, vendido como white label: cada empresa cliente acessava o Solv com a própria marca e os próprios programas.
O produto já estava em produção e era usável, mas cresceu em features sem acompanhar a experiência. Inconsistência visual e pouca prática de UX foram se acumulando ao longo dos anos.
Atuação
Entrei em junho de 2023 e fiquei até maio de 2026. Eu era designer e product manager ao mesmo tempo: desenhava o redesign e decidia, com a liderança, o que entrava no roadmap.
O time era enxuto, com 2 designers, 1 tech lead e 5 desenvolvedores, alguns juniores. Com pouca gente, eu precisava escolher bem o que entrava primeiro.
No design, conduzi o redesign de ponta a ponta e construí o design system. Como PM, tomava as decisões de prioridade com a liderança, conduzia o time no dia a dia, acompanhava as métricas de uso e montava o roadmap junto com o marketing. Também cuidei do relacionamento com os clientes nas validações.
Operação
O Solv atende três perfis com necessidades bem diferentes. O gestor de inovação roda os programas; o avaliador pode ser qualquer pessoa que a empresa designar; e o participante é dono de startup, pessoa física ou uma equipe.
Cada um precisava de coisas distintas: o participante, de um formulário claro e de acompanhar a própria candidatura; o gestor, de gerir programas e inscrições; o avaliador, de decidir com contexto.
O trabalho era atender os três no mesmo produto, sem precisar de treinamento.
Desafio
Muitos usuários reclamavam da organização: o produto não organizava do jeito que eles queriam, e cada um fazia de um jeito. Somado à inconsistência visual, isso tornava o Solv mais difícil do que precisava ser.
O desafio era dar consistência à experiência e, ao mesmo tempo, deixar cada perfil organizar o trabalho conforme o próprio fluxo, sem engessar quem já usava o produto todos os dias.
Processo
Conduzi discoveries de mesa, com artigos e concorrentes, e entrevistas com usuários-chave. Perguntava como faziam hoje, como gostariam de fazer, quais eram as dores e por que ainda não usavam o Solv para certas coisas. Depois analisava os dados e escolhia a direção.
Validava com protótipos interativos e observava as pessoas navegando: onde travavam, onde demoravam, onde ficavam em dúvida.
Como PM, priorizava com um sistema de pontuação por valor: atratividade para novos clientes, frequência de uso, retenção dos clientes atuais, valor de venda e esforço, alinhado com o marketing. Com 5 desenvolvedores, escolher o que gerava mais valor era a decisão mais importante.
Solução
A resposta central foi um sistema de tagueamento: dá para taguear usuários, inscrições, programas e mais, e usar essas tags para filtrar dashboards e tabelas, agrupar inscrições e organizar do jeito de cada fluxo.
Também criei a inscrição sem login, que destravou quem queria participar sem ter conta no Solv, com configurações para o gestor definir campos obrigatórios; o painel de inovação, um dashboard personalizável que integra os dados do sistema todo; o sistema de workshops com IA, para as ideias nascerem dentro do Solv e já entrarem nos programas; e a gamificação, com regras, pontuação e loja de itens.
Por baixo de tudo, um design system construído sobre o antigo, com provas de conceito feitas em paralelo (dark mode, componentes) para não parar o desenvolvimento. Quando fomos implementar, foi rápido.
Resultados
O tempo gasto gerindo programas de inovação caiu 40%. A principal reclamação era a organização, e as tags, que respondiam a ela, tiveram mais de 70% de adesão. Além disso, 50% dos projetos passaram a usar a inscrição simplificada, o painel de inovação foi adotado por mais de 80% dos clientes e o tempo de aprovação caiu cerca de 35% depois do redesenho da funcionalidade.
O que mais ouvi nas vendas foi sobre o workshop: ele virou a forma de filtrar e priorizar os desafios que chegam do nada e de mostrar, com todos votando ao mesmo tempo, qual poderia ser implementado primeiro. Um cliente usou por 10 dias seguidos.
O Solv é usado por empresas como Samarco, Nexa, Andrade Gutierrez, Vale e CCEE.
Comentários
Num produto B2B cheio de regra e com um time pequeno, boa parte do meu trabalho foi decidir o que não fazer. A inscrição sem login foi o exemplo mais claro: em vez de uma feature nova, bastou tirar uma etapa que travava quem queria participar.
04
Terapio
Terapio · aceleração TIM AWC · 7 meses · Product Designer
Contexto
O Terapio nasceu em 2021, no programa de aceleração TIM AWC, que ajudava alunos a transformar o TCC em negócio. A proposta era apoiar a fisioterapia à distância e a continuidade dos exercícios em casa.
Foram sete meses numa equipe de três pessoas, e eu cuidei do design do produto do começo ao fim.
Atuação
Conduzi a pesquisa, a definição dos problemas, os fluxos, os protótipos e os testes. Também desenvolvi a identidade visual.
Usei Design Science Research e o Duplo Diamante como referências pra organizar a investigação e a experimentação. As decisões foram sendo ajustadas conforme a gente aprendia com pacientes e fisioterapeutas.
Operação
Desenhei um app pro paciente e outro pro fisioterapeuta. De um lado, a pessoa precisava saber o que fazer em casa; do outro, o profissional precisava acompanhar e ajustar o tratamento.
Na pesquisa, conversei com pacientes que tinham mobilidade reduzida ou quadros de dor e com fisioterapeutas das redes pública e particular. Também mapeei o processo, do diagnóstico ao acompanhamento.
Desafio
Muitos pacientes não faziam os exercícios em casa por esquecimento, falta de tempo ou medo de se machucar. Pros fisioterapeutas, ajustar o plano ao longo da semana também era difícil.
Os vídeos ajudavam a dar confiança, mas apareceu um problema bem prático: como segurar o celular e fazer o exercício ao mesmo tempo?
Processo
Comecei pesquisando aplicativos, serviços de telemedicina, dispositivos e artigos. Depois, fiz mais de 15 entrevistas com pacientes e fisioterapeutas.
Organizei os achados em jobs to be done, experimentei os fluxos e testei protótipos de baixo custo. Fui ajustando o produto a partir do que aparecia nesses testes.
Solução
Desenhei lembretes ligados à rotina e um player que permite alternar entre assistir e executar, com o celular apoiado, controles acessíveis e progresso visível.
Pro fisioterapeuta, simplifiquei a edição das orientações e organizei pacientes e consultas num painel desktop. O chat também ajuda a tirar dúvidas no contexto do tratamento.
O design system considerava acessibilidade, inclusive pra pessoas com deficiência visual. A identidade visual foi desenvolvida junto com as telas.
Resultados
A entrega final foi um protótipo em alta fidelidade, e o projeto foi aprovado pela Unimed. Como não chegou a ser lançado, não teve métrica de uso.
Um dos ajustes veio daquela dificuldade de segurar o celular durante o exercício. Isso orientou a proposta do player, pra pessoa conseguir assistir à orientação e depois executar o movimento com as mãos livres.
Comentários
Aprendi a prestar atenção nas condições em que a pessoa vai usar o produto. Dor, mobilidade reduzida e até a falta de um lugar pra apoiar o celular mudam bastante a experiência.